Torcedor é bicho empolgado, por natureza. A gente às vezes fala de um jogador que viu num vídeo, ou que fez muitos gols, ou que fez um ótimo jogo e pede a contratação. Ora, eu sou torcedor, logo sou assim também.
Pois então, ontem decidi fazer uma coisa inusitada, como analista esportivo: em vez de ir para Trindade, ver o jogo do Goiás, segui para o Antônio Accioly para acompanhar Atlético x Canedense. Motivo: observar melhor o meia Mateus, aquele gordinho que acabou com a defesa do Goiás no primeiro tempo do jogo de volta, na Serrinha.
Já o tinha observado também naquele vídeo de uns dois anos atrás, em jogo pelo Campeonato Português, atuando pelo Vitória de Setúbal contra o Porto. Ótima apresentação, mas editada. E edição é propaganda.
Levei junto comigo para o Accioly um amigo, esmeraldino também, e comentei-lhe que iria para ver o tal meia gordinho da Canedense.
Para a análise, esqueça o placar do jogo. Foi 8 a 1, poderia ter sido 5, 6 ou 12. A Canedense que jogou ontem foi limitadíssima, nem sombra do que tinha sido contra o Goiás na Serrinha, e prejudicadíssima pela arbitragem. Levou um gol no começo do jogo e logo depois mais um. Descontou de pênalti, mas levou mais dois e teve o artilheiro (Erivelton) expulso ainda no primeiro tempo. Fim de papo, a goleada que veio foi só consequência, agravada por mais uma expulsão no início do segundo tempo.
O fato é que Mateus não tinha com quem jogar. O gordinho (ele já é encorpado de natureza, estilo Maradona, mas está realmente acima do peso) tem excelente domínio e proteção de bola. Não tem medo de encarar a zagueraiada e faz boas inversões de jogo (depois de uma delas, meu amigo se virou pra mim e disse “o cara é bom mesmo”).
Às vezes pega a bola na saída, como faria um volante, e avança pelo meio até encontrar um companheiro em melhor posição. Desloca-se até as duas laterais do campo. Não faz aquela marcação incisiva, mas se posiciona para ocupar espaço na armação defensiva. Sabe cadenciar o jogo e também sabe acelerar (fundamentos básicos do meia-armador). Em sua, se existe o tal “zagueiro-zagueiro”, Mateus é um “meia-meia“, o armador propriamente dito.
No jogo de ontem, Mateus deu apenas dois chutes ao gol depois de jogadas individuais, sem muito perigo nem força. Mas, guardadas as limitações do que houve na partida, chamou o jogo para si. Em certo momento do jogo, um atleticano, do nosso lado, comentou: “Só salva esse dezinho (camisa 10, a de Mateus) nesse time horrível.”
No Goiás de hoje, Mateus pode não ser a solução – apesar de não ter no elenco ninguém que faça o que ele faz – mas seria ótimo para o que se chama de “compor elenco”. Dar opções ao treinador, mudar o jogo, coisa que Jorginho vem demonstrando saber fazer muito bem.
Mateus é um jogador bom, barato e à espera de uma grande oportunidade. Ou seja, do jeito que a diretoria esmeraldina gosta. No Goiás, o nível e a pressão são outros. Mas, para quem recentemente deu chance para Eduardo Ramos, Hugo Leonardo, Raul e Rafinha, não custa nada… Ou custa muito pouco.
ARAUJEANAS
***** Que papelão fez o sr. Elmo Resende! Em um jogo no qual a Canedense não deu um único pontapé, conseguiu expulsar três jogadores fundamentais do time: o artilheiro Erivelton, o zagueiro e capitão Eliseu e o meia Mateus - expulso depois do apito final. Todos nem tinham o amarelo e apenas contestaram, talvez com mais agressividade verbal, as marcações erradas de Sua Senhoria, o árbitro. Que decadência, sr. Elmo…
***** O Goiás, mais uma vez, tropeçou no time do Divino Pai Eterno. Menos mal que não perdeu e ninguém saiu contundido, porque ninguém merece jogar naquele gramado do tal Abrão Manuel da Costa. E Lauro, ex-Verdão, mais uma vez aprontou pra cima do seu clube de origem e fechou o gol.
***** Jorginho não se fez de rogado: time em desvantagem, colocou dois atacantes (Wendell e Rafael Moura) e tirou dois volantes (Amaral e Wellington Monteiro). Terminou o jogo com um surpreendente 4-2-4. Está saindo melhor que a encomenda, esse treinador.