Peraí, Harlei… 

Arquivado em: Sem categoria on sexta-feira, julho 30th, 2010 by admin | 6 Comentários

Antes de tudo quero reiteirar minha opinião já colocada ontem aqui: caso Rodrigo Calaça seja mesmo sacado do gol, o titular tem de ser Harlei.

Posto isso, vamos ao que o mesmo Harlei externou ontem, ponto a ponto, na entrevista coletiva:

1) que durante seus 11 anos de Serrinha, viu grandes times caírem para a Série B e o Goiás se manter – quando Harlei assumiu a titularidade do gol verde, em 1999, eu já tinha comigo uma teoria: a de que é quase impossível a um time que tenha um grande goleiro cair para uma segunda divisão. E isso se confirmou enquanto nosso número 1 se manteve no auge da forma, até 2006. Nos sete primeiros anos de Série A que disputou pelo Goiás, Harlei teve mesmo grande parcela de mérito do sucesso.

2) que em 2007 a intervenção dele (Harlei) e de Paulo Baier foi fundamental para que o Goiás não caísse para a Série B – em 2007 houve o episódio-auge dos que consideram o goleiro um “paneleiro” (conceito que eu acho particularmente muito simplista): o boicote do elenco a Petkovic e que Harlei, sem nenhum constrangimento, assume que liderou, ressaltando que foi “pelo bem do Goiás”. Não quero entrar na conversa sobre esse fato em si, mas daí a insinuar que, se não fosse a partir de uma atitude dele, o Goiás teria caído para a Segundona foi demais. Pelo contrário, se amargássemos uma Série B, Harlei seria um dos maiores responsáveis – não pelo desempenho em campo, mas por ter indicado Márcio Araújo(!) ao então presidente Pedro Goulart.

3) que “não ganha a vida mandando e-mail para programa”, mas sim “debaixo de um sol de 40 graus”. Para comentar isso, permito-me usar as palavras  perfeitas do Jaime Babulal, companheiro da Comunidade do Goiás no Orkut:

“Se você trabalha num sol de 40 graus. é porque tem muita gente ralando nesse mesmo sol de 40 para poder chegar no fim de semana e contar os trocos para ver o Goiás jogando e assim pagar o seu salário!”

E completo com as palavras de outro esmeraldino, Fábio Kabala, no mesmo espaço e com uma fina ironia:

“Por bem menos que esses salários (dos jogadores), eu não só ficaria no sol do Serra Dourada, como comeria grama, terra e minhoca e quem sabe uma pedra pra dar sustância. Filho duma **** é o besta que trabalha no sol carregando tijolo nas costas de segunda a sábado, decerto. O ‘bem-sucedido’ que fica no sol limpando as ruas da cidade porque ignorantes jogam lixo no chão. Esses, aí sim, são os privilegiados, coitado daquele que ganha lá seus R$ 80 mil pra jogar duas vezes por semana um futebolzinho, né?”

Como último comentário, no ambiente conturbado que anda o Goiás nesses dias, com punições injustas e prévias, perigo de zona de rebaixamento, indefinições, contusões e problemas internos de diretoria, Harlei escolheu um péssimo momento para seu desabafo. Não é a melhor forma de externar seu amor pelo Goiás.

Deixo aos amigos e amigas do Blog essas considerações, para reflexão.

Dilema no gol do Goiás 

Arquivado em: Sem categoria on quinta-feira, julho 29th, 2010 by admin | 6 Comentários

É quase certo que o goleiro do Goiás, domingo, na Ressacada, contra o Avaí, não será Rodrigo Calaça.

Para bom entendedor, o técnico Emerson Leão dá todos os sinais de que vai trocar o goleiro. Pode até mudar de ideia para evitar uma polêmica maior – explico isso logo abaixo –, mas até o momento o que está posto é que ele vai mudar o camisa 1.

A parte da “polêmica maior” citada acima  é que, também para quem lê nas entrelinhas do que diz o treinador, tal mudança não será a volta de Harlei à titularidade.

Por todos os movimentos – e, por que não, rodeios – que tem feito Leão, tudo indica que será Fábio, de novo, o homem do gol. A maior prova desse “rodeio” é o tal rodízio no banco de reservas, algo que eu nunca ouvi falar (posso estar errado) que o técnico tenha feito em algum dos times por que passou.

Ora, assim como a lógica mandava que Rodrigo Calaça fosse o substituto natural de Harlei caso tivesse este que deixar o gol por algum motivo – como ocorreu pela cirurgia –, manda agora o bom senso que seja Harlei, já recuperado, de novo o titular, com a saída de Calaça.

Mas só que, em relação ao gol do Goiás, Leão não obedeceu a nenhuma coerência desde que chegou. O maior erro de sua gestão à frente da comissão técnica alviverde, até o momento, foi exatamente mandar trazer Fábio – um goleiro que custará mais de R$ 1 milhão até o fim do contrato, em dezembro de 2011 – enquanto a maior demanda do time era, com certeza, em outras posições.

Pois bem, quem diria: a maior surpresa, por tudo o que tem ocorrido nos últimos tempos, será ver Harlei com a camisa 1 no jogo de domingo…

Se realmente Fábio for o titular domingo e o Goiás perder – o que será, convenhamos, um resultado normal –, entrando naturalmente na zona de rebaixamento, podem ter certeza: a cotação de Leão na Serrinha vai despencar. Mesmo que Fábio não tenha culpa alguma.

Enfim, pelo bom senso, saindo Calaça, quem deveria voltar ao gol seria Harlei, sim. Fora isso, o que haverá não se explica somente com desempenho técnico.

ARAUJEANAS
***** Tudo bem, Rafael Moura foi além do que deveria. Mas é de indignar a tal suspensão preventiva de 30 dias, aplicada pelo STJD, seja estendida a Leão e Romerito. Gostaria que alguém provasse que qualquer um dos dois tenha estendido a mão em algum momento para agredir alguém durante a confusão no Barradão. Lamentável.

***** Resta torcer para que o departamento jurídico do Goiás reverta rapidamente essa situação. A presença do treinador à beira do gramado, psicologicamente, é vital ao time. Ainda mais quando o treinador tem a liderança que tem um Leão.

A hora de Toloi vai chegar 

Arquivado em: Sem categoria on quarta-feira, julho 28th, 2010 by admin | 11 Comentários
Toloi com a amarelinha: essa cena vai se repetir várias e várias vezes

Senti uma certa decepção de alguns esmeraldinos com a ausência de Rafael Toloi na primeira convocação do novo técnico do Brasil, Mano Menezes.

Normal, realmente havia uma expectativa de que isso fosse acontecer, já que ele chegou a ser capitão nas categorias de base da seleção e terá idade olímpica em 2012, para os Jogos de Londres.

Mas tenho comigo que dificilmente o zagueiro esmeraldino deixará de frequentar futuras listas do treinador. Toloi tem tudo o que um técnico gostaria de um bom defensor: é alto, forte, técnico, eficiente nas bolas altas (afinal, não basta ser alto, tem que participar) e sabe sair jogando e executar lançamentos. Fora isso, cobra faltas com certa precisão e pode ser fazer a função de volante, sua posição de origem.

Ou seja, basta a torcida alviverde ter paciência. Mais do que ela, o próprio Toloi.

Lógico, ele não pode repetir atuações desastrosas como a de domingo – que, no entanto, não influiu na não-convocação, creio.

Mas que sabe o potencial do jogador percebe logo que foi um jogo atípico e acidental, como foi para Rodrigo Calaça também, por exemplo. Toloi ainda vai nos dar muitas alegrias.

A não ser que seja vendido nas próximas semanas. Mas isso já é material para um outro artigo.

ARAUJEANAS
***** Gostei muito de saber como Emerson Leão se portou ao conversar com os jogadores após a triste derrota de domingo. No reencontro, o treinador tratou o episódio como acidente de percurso e disse: “Nas últimas partidas, vocês jogaram sete jogos bons e um ruim. Se essa média se mantiver, ficarei muito feliz.” Palavras sensatas e animadoras, exatamente o que o elenco precisava após uma semana tão atribulada.

***** Diretoria, traga logo o meia que o Goiás precisa para substituir Hugo. Não dá para viver da improvisação de Bernardo (um jogador que deve receber bolas e não armar jogo) e nem da vontade de Romerito. Agilidade já!

Técnico sem brilho, time sem brio 

Arquivado em: Sem categoria on segunda-feira, julho 26th, 2010 by admin | 8 Comentários

Trecho do post do blog que eu preparava sábado à tarde e não pude concluir:

O GOIÁS JOGA CONTRA O GOIÁS

Nesta sexta-feira estive com meus irmãos esmeraldinos Wanderson Guimarães, Eric Fróes e Diego Stefani no programa 100% Verdão, da Rádio Esmeraldina, a maior webrádio do Estado.

Lógico que a conversa ainda foi, em sua maior parte, sobre o triste episódio da quarta-feira, em Salvador. Mas, no fim, falamos sobre o jogo deste domingo e a questão era: até que ponto o Atlético Paranaense  pode complicar a vida do Goiás?

Pois bem, um mau resultado amanhã é iminência de zona do rebaixamento ou de ficar à beira dela.

O time paranaense é respeitável, embora tenha tido um péssimo início de Brasileiro, mas, para mim, o maior adversário do Verdão será ele mesmo.

Por mais que se negue, o jogo contra o Vitória não é passado ainda. Tanto pelo que aconteceu dentro de campo (um empate cedido no último minuto) quanto, principalmente, pelo que se seguiu e que não precisamos repisar. Foram fatos marcantes demais para simplesmente descartar da cabeça.

Diante de situações fortes, o mais difícil é permanecer impassível…
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Acabou que não publiquei, mas segue aí acima como preâmbulo.

Realmente não sei se o ocorrido em Salvador atrapalhou o Goiás. O que sei é que não ajudou.

Mas o fato é que o comportamento da equipe em campo mudou drasticamente em relação ao padrão das partidas anteriores: a pegada sumiu, a vontade foi junto, a desorganização tomou conta do setor defensivo etc. De quebra, apareceram a insegurança  e a intranquilidade. O que não mudou foi a ineficiência do ataque e a falta de criatividade do meio-de-campo.

Rodrigo Calaça e Rafael Toloi estavam irreconhecíveis. Se o time todo esteve abaixo da média, eles foram os que mais se destacaram negativamente – porque, de Wellington Monteiro, Carlos Alberto e Wellington Saci, o torcedor já não espera muito mesmo.

Emerson Leão decepcionou pelo segundo jogo seguido. Demorou a substituir quem não deveria nem ter entrado: exatamente Wellington Monteiro. Não entendo a insistência do treinador em improvisar Carlos Alberto de lateral em vez de aproveitá-lo no meio, dando vaga a Douglas.

Mas, enfim, mesmo se tivesse escalado o time certo, não sei dizer se faria diferença ao fim. Porque o que houve foi algo que vai além do técnico e tático – faltou atitude, acima de tudo.

E lá se vão mais três pontos preciosos em casa. Está cedo para falar em perigo de rebaixamento? Ora, se com o time lá em cima, a gente avisava que o elenco é limitado e que Leão estava aproveitando o máximo do potencial, imagina com o treinador sem brilho e o elenco sem brio…

ARAUJEANAS
*****
Apesar de ter falhado bisonhamente em lances que por pouco não redundaram em gol, Calaça merece mais uma chance, sim. Até para provar que é capaz de dar a volta por cima dos próprios erros.

***** Me espantei com o Rafael Toloi que eu vi em campo ontem. Imaginem um DVD de jogador ao contrário só com o jogo de ontem, em seus piores momentos: nosso jogador-cofrinho não iria nem para a Aparecidense!

***** Uma semana inteira para Leão botar ordem na casa pra pegar o Avaí na Ressacada. Ah sim, o Avaí é aquele time contra o qual o Goiás tem 0% de aproveitamento no retrospecto… Hora, pois, de mudar isso. Uma missão leonina…

Ainda a confusão 

Arquivado em: Sem categoria on sexta-feira, julho 23rd, 2010 by admin | 17 Comentários

O post de ontem neste Blog causou muita polêmica. Nada imprevisto, já que, de minha parte, não considero importante fazer média com ninguém, seja da torcida, seja do elenco, da comissão técnica ou da diretoria esmeraldina.

Continuo a entender que tudo seria evitável se o Goiás tivesse voltado ao segundo tempo para jogar bola e não para defender um resultado falsamente favorável. E nisso, o grande culpado foi Emerson Leão, porque ele é o comandante técnico (com saldo positivo) da equipe. Ou seja, ao fim do jogo ele se tornou vítima de si mesmo.

Agora, o processo de achincalhamento que ocorreu de sua figura, especialmente por parte da imprensa baiana, é algo tão desproporcional quanto a reação de Rafael Moura ao empurrão do fanfarrão disfarçado de repórter Roque Santos.

O áudio captado de uma das rádios comprova a má-fé dos radialistas que estavam na cabine. Esse fato (1), bem como a microfonada (2) do tal Roque na boca do treinador, o pontapé por trás (3) que este sofre e o mesmo Roque partindo pra cima de novo (4) de Leão e da comissão técnica esmeraldina mereceriam a apuração devida, em primeira instância, da própria Associação dos Cronistas local. E, depois, da própria diretoria do Vitória, que culpou o Goiás pelo incidente, mas vai sofrer as consequências de apresentar um estádio precário em termos de segurança.

Da parte de Leão, ele foi mais vítima (inclusive de si mesmo, como eu disse acima) do que vilão. Invadiu o campo para tirar satisfação com o árbitro como qualquer treinador que se sinta prejudicado invade neste País da Copa de 2014.

A partir daí, Leão sofreu: 1) o assédio inoportuno de uma imprensa oportunista; 2) foi agredido moralmente em sua privacidade pelo tal dublê de repórter Roque Santos; 3) foi agredido fisicamente por este rapaz com seu instrumento de “trabalho”; 4) foi agredido fisicamente com um pontapé por trás por um colega de xeretice desse mesmo rapaz; 5) foi enfiado, no pós-jogo, em um camburão da PM local (que, durante a confusão, honrou como nunca aquele conhecido estereótipo baiano da “lentidão para agir”); e 6) por fim, foi obrigado a enfrentar o prolongamento da noite em uma delegacia.

Olhem qualquer vídeo da confusão: em momento algum, se vê alguma atitude mais enérgica de Leão que não seja o dedo em riste para o repórter fanfarrão e o empurrão para retirar o microfone que este indivíduo insistia em lhe pôr na boca, à semelhança da mãe que obriga o filhinho birrento a tomar o remédio.

A culpa da confusão sobra, em grande parte, para a administração do estádio, a imprensa local (para quem acha que a nossa é amadora…) e o comando da polícia no evento.

Ah, e Rafael Moura? Ao contrário da maioria da torcida, não vejo heroísmo em seu ato. Mas não o considero nenhum vilão. Fez o que faria um ser humano impulsivo como ele é. Acabou lavando a honra do grupo esmeraldino ali presente, mas causando um prejuízo institucional para o clube – não haveria camburão e delegacia não fosse aquele cruzado de canhota tão bem-executado.

Fica ele agora louvado pelo ímpeto do torcedor, mas com o futuro no campeonato prejudicado logo depois de fazer, disparado, sua melhor partida no ano.

De quebra, Romerito e Marcão pagaram um micão por tabela.

Enfim, o Goiás Esporte Clube caiu como um patinho numa ardilosa armadilha pós-jogo no Barradão.

ARAUJEANAS
***** A ilustração deste post de hoje é obra do designer gráfico esmeraldino Wagner Wagone, companheiro da comunidade oficial do Goiás no Orkut. Deveremos ter a participação de sua arte com alguma constância neste espaço. Bem-vindo!

***** Perfeita a cobertura da Globo nacional sobre o jogo e os incidentes. Serve para calar a boca de muita gente que repete Galvão Bueno, só que do outro lado da telinha, ao falar abobrinha só para dar uma de maria-vai-com-as-outras no coro anti-Globo.

***** Do lado oposto, nota zero para a Band e seus pseudoprofissionais de mesas-redondas. Um canal que se diz “do esporte” e emprega boleiros como Neto, Vampeta e Denilson, um corintiano doente como o tal dr. Osmar e o camelô-mor da TV Milton Neves deveria ser excluído do controle remoto.

***** De positivo em tudo isso, espero que o ocorrido mexa com o brio dos jogadores esmeraldinos e que o Atlético Paranaense pague o pato domingo.

Leão, a culpa foi sua 

Arquivado em: Sem categoria on quinta-feira, julho 22nd, 2010 by admin | 32 Comentários

Eduardo Martins/Ag. A Tarde

Sei que vou remar contra a maré neste post, mas estou com essa opinião desde que acabou o jogo e nada me convenceu a mudar.

Emerson Leão, justamente “o cara”, aquele que fez um time limitado como esse que temos jogar bola, foi o principal culpado por tudo o que ocorreu ontem. Dentro dos 90 minutos e também depois deles.

Mas comecemos com os 90 minutos, então.

O Goiás começou a partida em uma espécie de 4-3-2-1, com Bernardo e Everton Santos fazendo o papel de atacantes satélites de Rafael Moura. Sofria os ataques do Vitória, mas que ocorriam sem eficiência e possibilitavam o contragolpe. Estratégia de jogo muito adequada.

Foi assim que o time, fazendo a bola circular e esperando o momento certo, criou uma bela jogada aos 26 minutos, que terminou com o chute de Bernardo e a esplêndida defesa de Viáfara. Animador.

Logo depois, a coisa começou a engrenar de vez e saíram os dois gols em dois flashes, com participação eficientíssima de Rafael Moura em ambos (concluindo o primeiro, em bola de profundidade de Toloi, e cruzando na cabeça de Everton Santos no segundo).

Tudo seria mais fácil se Wellington Saci soubesse marcar e não levasse a bola nas costas que culminou com o gol do Vitória, no fim do primeiro tempo, com Ricardo Conceição.

Aí veio o trágico segundo tempo. Trágico por conta de Emerson Leão.

Primeiro, por manter em campo alguém que ele nem deveria ter escalado: Wellington Monteiro.

Depois, por tirar Bernardo para pôr Romerito – ato previsível, mas ordinário e prejudicial, como se viu depois.

(Abrindo um parêntese, alguém sabe dizer que função Romerito desempenha em campo? Volante? Meia? Atacante? Sinceramente, eu nunca vou conseguir definir, o futebol dele é inclassificável, nesse sentido de posicionamento tático)

O problema não era nem entrar Romerito: era sair Bernardo. O time ficava mais recuado.

Tudo bem, passa-se mais alguns minutos e a pressão baiana aumentando. Leão olha pro banco… e chama Marcão para o lugar de Saci. Tudo bem, na parte de sair com o Saci.

Já disse aqui uma vez, quando o Goiás estava se arrumando ainda, que Marcão seria uma boa solução para compor defensivamente o Goiás, jogando de lateral-esquerdo. E não atuou mal não, mas sua entrada deu a entender que o time ficava ainda mais defensivo.

Ok, veio então a terceira substituição, quando o Vitória já tinha feito um gol, anulado pelo bandeirinha. Aliás, lance no qual a arbitragem auxiliar salvou o Goiás (é importante deixar isso marcado aqui: quantos bandeirinhas dariam aquele impedimento após o juiz confirmar o gol?).

E a pressão, então, era total. O que fez Leão? Preferiu segurar mais essa pressão (fortalecendo a defesa) a tentar fazê-la ceder (colocando sangue novo no ataque, como um Otacílio Neto da vida). Saiu Everton Santos e entrou Valmir Lucas.

Sem dúvida, o espírito de Hélio dos Anjos havia baixado em Leão: era a velha história da bunda no azulejo, que quase sempre termina como a gente tristemente experimentou várias vezes em 2009.

E veio o resultado: gol de empate do Vitória aos 45 minutos do segundo tempo. Com o Goiás tendo em campo 4 zagueiros de ofício (Toloi, Ernando, Marcão e Valmir) e 4 volantes idem (Amaral, Wellington Monteiro, Jonilson e o dublê de lateral Carlos Alberto), além dos 3 Rs (o inclassificável Romerito, o goleiro Rodrigo Calaça e o então solitário atacante Rafael Moura).

Terminado o jogo, o que fez Leão? Adentrou o campo para parabenizar o árbitro. Deveria ter antes feito um autoexame de consciência (lembrar que tinha tirado Bernardo, que poderia ter feito o terceiro gol na falta à beira da meia-lua), contado até dez e descido pro vestiário.

Mas não. Seguiu sua intempérie de temperamento e acabou interceptado pelo repórter baiano, gerando então uma confusão que foi acabar na delegacia, depois que o pretenso comunicador lhe enfiou o microfone na boca.

Leão estava no lugar errado. Aliás, ontem Leão estava na profissão errada. Devia estar se achando um leão-de-chácara, tentando conter a fúria de uma multidão à porta de um show de axé da Ivete Sangalo. E, claro, como um leão só não faz verão, a multidão (gol do Vitória) acabou passando por cima dele.

No fim de tudo, tive a vergonha de ver profissionais vestindo camisas com o escudo do meu time entrando dentro de um camburão.

Papelão. Papelão de Leão. Como treinador, covarde que foi no decorrer do jogo. E como líder de um time, após inventar um culpado que ele só poderia encontrar no próprio espelho.  

ARAUJEANAS
*****
Muita gente vai questionar: “ah, é muito fácil falar sentado no sofá, não estando lá para sentir na pele o que se passou”. Tudo bem, mas o que se passou? O que vi foi um time que se retraiu e um treinador que postou sua equipe cada vez mais covardemente e depois quis jogar a culpa no juiz. O fato originador da confusão foi patético. A pancadaria foi só consequência.

***** O repórter baiano foi a isca perfeita para o pastelão todo. Em poucos minutos, se mostrou um antiprofissional que só envergonha a classe dos comunicadores. Merece uma punição tão exemplar quanto a que Leão, que será o bode expiatório de tudo, com certeza ganhará.

***** Amaral me lembrou o Seu Sandoval Quaresma, aquele personagem de Brandão Filho na Escolinha do Professor Raimundo: “estava indo tão bem” e, sozinho, mete um passe perfeito de cabeça… para o adversário fazer o gol.

***** Alguém mais por aí teve a sensação de que o empate de ontem foi mais derrota do que o 0 a 1 para o Cruzeiro?

E se perder hoje? 

Arquivado em: Sem categoria on quarta-feira, julho 21st, 2010 by admin | 8 Comentários

Estádio do Barradão, contra um Vitória superembalado, finalista da Copa do Brasil e com time completo.

Realmente, não dá pra negar que é uma parada indigesta.

A chance de mais uma derrota – e, como consequência, voltar do tour fora de casa sem nenhum ponto – não é nada desprezível. O insucesso poderá levar o Goiás de novo a beirar a zona de rebaixamento.

E daí fica a pergunta: e se acontecer mesmo desse jeito? E se vier mais uma derrota?

Penso que mais importante do que o resultado será o comportamento do time em campo. Contra Vasco e Cruzeiro, o Goiás teve má sorte em lances decisivos. Se isso voltar a ocorrer hoje, paciência.

Lembro do começo do Brasileiro de 2003, quando a quantidade de bolas na trave era algo impressionante. O time jogava bem, mas esbarrava nas finalizações. Ocupou a lanterna durante muitas e muitas rodadas, mas era visivelmente (e no papel) um time muito bom. Não demorou para o time engrenar – principalmente com a chegada de Cuca e Grafite – e fazer a histórica sequência de 16 jogos sem perder.

Assim, não vejo motivo para pânico hoje, se acontecer outra derrota. O campeonato é longo e, com um técnico experimentado como Leão, não vejo maiores perigos de um desastre que culminaria na Série B – assim como também não enxergo chance de Libertadores.

Mas estaremos de olho no desempenho. E, mais do que nunca, para que o título do post de hoje fique mesmo apenas no “se”

Galinha dos ovos de prata 

Arquivado em: Sem categoria on terça-feira, julho 20th, 2010 by admin | 4 Comentários

Craque o Goiás faz em casa.

Na verdade, essa frase é originária de um time que veio aqui domingo, com nove jogadores formados na própria base, e ganhou do Atlético Goianiense.

Mas a expressão vale, com certeza, para o Verdão da Serra também.

Contaremos da década de 1980 para cá, somente: Luvanor, Gilson Jáder, Carlos Alberto, Zé Teodoro, Cacau, Adalberto, Carlos Magno, Niltinho, Tiãozinho, Benevan, Uidemar, Wallace, Wilson Goiano, Túlio Humberto, Marcelo Batista, Agnaldo, Márcio, Richard, Marcelo Borges, Kléber, Dill, Túlio Lustosa, Fernandão, Marabá, Lúcio, Josué, Araújo, Marquinhos, Danilo Portugal, João Paulo, Renato Silva, Tiago, Welliton, Wendell, Rodrigo Calaça, Amaral, Pedro Henrique, Ernando, Valmir Lucas, Rafael Toloi, Douglas,  Johnathan e outros tantos que esqueci e que vocês podem lembrar.

Muitos desses não são craques na acepção da palavra, claro. Mas todos eles, em algum momento, fizeram ou fazem algo pelo Goiás.

Todos eles passaram pela grande escola de futebol que são as categorias de base da Serrinha.

As divisões de formação de um clube são como a galinha dos ovos de ouro. Ou melhor, a galinha dos ovos de prata – prata da casa. Precisam ser bem cuidadas sempre

O que vejo hoje no Goiás é uma negligência imensa no que diz respeito ao investimento na base. E digo isso mesmo com pelo menos oito jogadores formados (citados acima) com titularidade ou aptos a atuar pelo clube neste Brasileiro.

Temos hoje um clube endividado, com R$ 20 milhões ou mais a pagar. E imagino o que seria do Goiás hoje, em relação a isso, se não tivesse um Toloi para vender!

Basta olhar ao redor, aqui em Goiânia mesmo, para saber o buraco onde a gente se enfiará se não fizermos essa galinha dos ovos de prata produzir cada vez mais.

Então, fica o recado: dirigentes esmeraldinos, cuidem, com todo o carinho do mundo, das categorias de base do Goiás Esporte Clube.

Ou, então, aguardem dias amargos…

Se não fosse futebol… 

Arquivado em: Sem categoria on domingo, julho 18th, 2010 by admin | 9 Comentários

Ontem, em Sete Lagoas, sinceramente eu queria que o Goiás estivesse praticando qualquer outra coisa: vôlei, basquete, tênis, boxe…

Mas era futebol. E futebol é, em sua essência, o esporte do absurdo e da injustiça. Que o digam os que assistiram ao Maracanazo de 1950 ou o Carrossel Holandês de 1974 ou a seleção “Voa Canarinho” de 1982.

Guardadas as devidas proporções, o Goiás sofreu uma microtragédia na tal Arena do Jacaré:

Um gol quase que por acaso selou o destino do jogo. Perde-se um jogo por uma bola rebatida e que vai parar no pé do cara errado.

Em um jogo no qual, se tivesse de haver vencedor, teria de ser o Goiás, não o Cruzeiro (imagine, para isso, se fosse uma luta de boxe decidida por pontos), perdemos nós. Coisa só desse esporte. À exceção de Wellington Monteiro, o Verdão não teve um jogador que possa-se dizer que tenha jogado mal. Senão, vejamos:

Novamente, Rodrigo Calaça foi pouquíssimo acionado. Sinal que tem à sua frente uma defesa segura, o que se comprova com Rafael Toloi e Ernando jogando bem, tomando bolas e sem levar cartão ou precisar apelar hora alguma.

À frente deles, Jonílson e Amaral igualmente produzindo muito para o setor defensivo, desarmando, cortando bolas pra escanteio etc. Ponto para os dois. Pena que Wellington Monteiro, esse sim zero à esquerda, não tenha seguido o ritmo. Menos mal ter sido merecidamente sacado no intervalo.

Os alas não comprometeram, embora Carlos Alberto estivesse discreto no primeiro tempo. Wellington Saci foi um dos melhores em campo, fazendo boas assistências e levando perigo direto (na cobrança de falta). Já Douglas fez pouca coisa, mas o cruzamento perfeito no último minuto de jogo que quase deu o empate ao Goiás o redimiu.

Fábio defende cobrança de falta de Saci: uma das várias chances do Goiás (foto: Washington Alves/Vipcomm)

Fábio defende a cobrança de falta de Saci, em chance real do Goiás
(foto: Washington Alves/Vipcomm)

Na parte ofensiva, Everton Santos fez o que vem fazendo sempre: muita luta, muita movimentação, mas nenhuma capacidade de finalização; Otacílio Neto foi não mais que razoável, sendo substituído por um Romerito lutador, que continua com a capacidade de fazer grandes jogadas e grandes besteiras… além de perder aquele gol no fim.

E o He-Man? Rafael Moura executou o que se espera dele: gols. Pena que a arbitragem fosse tão cancheira, porque, se o primeiro gol foi corretamente anulado, o segundo foi jogada normalíssima de área e, se havia que ter uma interpretação, ela precisava ter beneficiado a ação (gol). O Goiás saiu de campo prejudicado pelo apito, sim.

O técnico Emerson Leão mostrou agilidade ao fazer duas substituições no intervalo. O time é tecnicamente limitado mas vem mostrando consistência e isso se deve a ele como treinador.

No fim, o que esperar para o futuro? Sinceramente, acho que para o Brasileiro não os torcedores não podem esperar mais do que outra vaga na Sul-Americana. Mais do que isso, é coisa bem complicada, que necessitaria de mais investimentos (coisa que a Serrinha não dispõe) ou de um time que adquirisse um conjunto tão perfeito que superasse as limitações individuais (nisso reside a remota esperança de algo mais).

Mas cair para a Segundona, esse mal a gente não passa este ano.

No mais, fica a esperança de uma campanha de encher os olhos na Copa Sul-Americana, onde o mata-mata esconde as deficiências do elenco e o título é possível. Se vier, não deixará de ser uma saborosa novidade.

Um conturbado retorno 

Arquivado em: Sem categoria on sexta-feira, julho 16th, 2010 by admin | 7 Comentários

Não se pode dizer que é a semana dos sonhos do Goiás, esta de retorno à disputa do Brasileiro.
O 0 a 0 frente ao Vasco, diante da torcida, não foi o melhor dos resultados, embora o time tivesse mostrado consistência até a última bola – ainda falta o matador.
Porém a grande má notícia do jogo não foi o resultado, mas a perda do meia Hugo. Não tem coisa mais difícil atualmente no futebol do que encontrar um bom armador, ainda mais com o dom de cobrar faltas que ele tem. Fica na memória seu gol, logo ao entrar contra o Flamengo, no último jogo antes da Copa.
Fora das quatro linhas, a renúncia de Sebastião Macalé, agora ex-diretor de futebol prova que a Serrinha está aos cacos. O motivo alegado foi a retirada da direção do departamento jurídico, do advogado Felicíssimo Sena, seu amigo pessoal. Mas com certeza isso só deve ter sido a gota d’água.
A família Pinheiro não se dá mais com Syd de Oliveira, que está cada vez mais isolado na presidência. Praticamente, no comando do clube, só lhe resta João Gualberto, que, convenhamos, não é a melhor referência para alguém tomar conselhos sobre as artimanhas do futebol.
Ainda bem que temos, em campo, senão um time brilhante, pelo menos acertado pelas mãos de Emerson Leão, que vem mostrando a velha competência e uma surpreendente serenidade.

ARAUJEANAS

***** Leão foi coerente ao deixar Rodrigo Calaça no gol do Goiás. Mas o novo camisa 1 precisa, urgentemente, melhorar sua reposição de bola. Nesse ponto, ele parece goleiro dos anos 70. E agilidade para pôr a bola em jogo é fundamental no futebol moderno.

***** Peço de novo a compreensão dos amigos pela ausência deste Blog da instantaneidade dos assuntos esmeraldinos, por motivo de assumência da direção da Comunidade do Goiás no Orkut. Aproveito para convidá-los para participar da mesma, haja vista a qualidade dos argumentos que a grande parte aqui tem enriqueceria bastante o fórum e as discussões lá.

***** Meu filho Arthur, com 1 ano e 12 dias de vida, me deu um belo presente: vestido com o manto verde para ir ao Serra, quarta-feira, perguntei, com ele no meu colo, “cadê o Goiás?”; na hora, ele apontou para o escudo no peito. Como diz Mr. Mastercard, têm coisas que o dinheiro não comprará jamais…