O Campeonato Brasileiro inicia e mais uma vez vem o receio, a desconfiança e a dúvida. Esse seria mais um ano de participações ou iríamos brigar para não cairmos para a cruel Série B?
Podíamos ver nos olhos de um torcedor incrédulo a expressão de mais um ano sem grandes expectativas, até porque a mídia nacional classificava o Periquito da Serra como um time predisposto a finalizar o campeonato nas últimas posições.
Era justamente isso o que se via: empates, derrotas e a sensação de mais um ano em vão, e quando o torcedor menos espera surge uma esperança, as vitórias! Começava a ascender no peito esmeraldino a luz de uma Estrela Dourada.
Brincamos de roda no Maracanã e ao retornarmos ao nosso palco, mostramos em um duelo alviverde quem era o Poderoso Verdão. Vimos um baixinho calar um gigante mineiro e àquela altura sentimos o nosso coração bater forte, a respiração ofegante e algo nos dizendo “vamos que dá!”.
E as vitórias se seguiam, dentro e fora de casa, o torcedor comemorava cada conquista como um degrau a ser alçado, onde no topo estava o objeto de um sonho tão almejado, a nossa Estrela Dourada.
Mais um duelo estava por vir, e nesse momento o país do futebol direcionava seus holofotes para um confronto entre a grandiosidade de um time considerado nacional e a força de uma equipe disposta a galgar seu “lugar ao sol”. Um Serra Dourado lotado, e a cada minuto de espera o coração pulsava em um ritmo desconcertante. Do céu uma esperança, o retorno! Em meio a fogos e chuvas de prata, um coro enlouquecido celebrava a volta daquele em que depositaríamos o dever de erguer a nossa taça. O torcedor pensava, agora vai! Um duelo de garra, de força, de medo, mas também de alegria, onde o torcedor esperou até os instantes finais para festejar uma vitória que deixaria os esmeraldinos com os olhos na estrela e os pés no penúltimo degrau de uma caminhada que ainda estava longe de acabar.
Uma seqüência quebrada, mas nem isso foi capaz de diminuir nosso entusiasmo, e tudo parecia conspirar para que o tão sonhado título tivesse as cores branca e verde esmeralda. A oportunidade de ir ao último degrau dependia de uma batalha nos Aflitos, e os nossos guerreiros alviverde se curvaram diante um batalhão desesperado e assombrado por uma zona cruel, mas para nós aquilo era só o adiamento de algo que contávamos como certo. A torcida ecoava um só grito. Ahhhhh! Eu acredito!
A essa altura o sonho dava passos de um despertar certeiro, podíamos sentir o calor de uma luz irradiada por um corpo celeste tão desejado, e nem mesmo as quedas nos faziam fraquejar. E quando alguns de nós se deixavam abater por resultados ruins eis que novamente outro gigante se cala. Em uma dança perfeita nossos guerreiros estragam uma festa, onde os anfitriões esqueceram de nos avisar que a casa não era nossa, pouco importa, fizemos a nossa festa assim mesmo.
E naquele momento, tudo parecia concreto, real, começamos a ver um sonho desmoronar, a cada partida o brilho da estrela se distanciava e o torcedor engolia a seco cada gol sofrido ou perdido, e foram muitos, mas no fundo restava a esperança que no próximo seria diferente.
E esse próximo chegava e com ele o intragável gosto de mais uma derrota, descíamos envergonhados uma escada alçada com glórias. O torcedor se vestiu de palhaço e transformou o palco de vitórias em um picadeiro de horrores, nossos heróis viraram vilões e apagaram o brilho da nossa estrela. Resta o sabor amargo, a vergonha, a decepção, o fracasso. Resta oprimir o grito e mais uma vez ver o nosso verdão decidir um campeonato, porém como mero coadjuvante, assim como tem sido nos últimos anos. É duro pensar que esse ano todos nós, nos vimos sim, decidindo esse campeonato, nos víamos brigando pela chance de levantar a taça e conquistar o tão esperado sonho de uma Estrela Dourada.
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